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Natural Killer

A célula "natural killer" (NK)

Vários estudos têm demonstrado alterações significativas de células imunocompetentes em mulheres com AR, tais como elevação de células NK ativadas no sangue periférico e uma relação aumentada de citocinas Th-1:Th-2, que pode estar implicada com uma mudança do tipo predominante da atividade linfocitária.
A população de leucócitos na decídua e endométrios humanos foi bastante estudada, sendo diferente daquela do sangue periférico. Consiste principalmente de 3 tipos celulares: células T, macrófagos e células natural killer uterinas (uNK). Uma pequena proporção das células uNK é semelhante às NK do sangue periférico, apresentando uma expressão mínima de CD56, sendo por vezes denominadas células CD56dim, enquanto que a maior parte das células uNK é CD56bright.  O número e proporção de cada tipo celular variam ao longo do ciclo menstrual e na gestação incipiente. A maior alteração é descrita para as células uNK. Durante a fase proliferativa, seu número é praticamente igual ao das células T. Entretanto, na fase lútea média, correspondem a 70% dos leucócitos endometriais, sendo que tal número aumenta ainda mais no início da gestação (King et al., 1989; Bulmer et al., 1991).

A função exata das células uNK não é conhecida, já tendo sido descritas tanto influências negativas como positivas sobre o estabelecimento e desenvolvimento da gestação. Sabe-se, no entanto, que as células CD56+ sofrem apoptose poucos dias antes da menstruação, o que não ocorre se houver gestação.
Vários estudos demonstraram números aumentados de células NK CD56+ no sangue periférico de mulheres com AR, tanto antes como durante a gestação. Foi demonstrado que a atividade das células NK periféricas diminui em pacientes férteis normais, permanecendo elevada, todavia, nas abortadoras habituais. Tal observação levou ao questionamento se este fenômeno não era uma conseqüência dos abortamentos ocorridos, por exemplo, por alterações cromossômicas embrionárias. Contradizendo esta hipótese, observou-se um aumento de número e atividade de células NK CD56+ apenas em abortadoras habituais com fetos cromossomicamente normais, sugerindo que tais células seriam mais uma causa que um efeito do AR. Diferentemente do que foi observado para células periféricas, um número menor de células NK CD56+ deciduais foi observado em tecido placentário de abortamentos em pacientes com AR. Em contrapartida, 2 estudos imunohistoquímicos distintos mostraram número aumentado de células NK CD56+ no endométrio de mulheres não grávidas com AR.

Analisando-se todos estes resultados em conjunto, há indícios de que realmente ocorram alterações nos leucócitos CD56+ em pacientes com AR. A diversidade quanto ao tipo de análise realizado — sangue periférico, decídua de primeiro trimestre ou endométrio peri-implantacional — pode contribuir para a discrepância de resultados em relação à existência efetiva de um aumento ou diminuição deste tipo celular. A divergência observada quanto a um aumento de células CD56+ no endométrio e diminuição das mesmas na decídua pode ser decorrente, na realidade, da presença de duas populações diferentes de células CD56+, sendo uma CD16+ e outra CD16-, respectivamente. Os achados recentes de Emmer e cols., mostrando aumento do número de células CD16+ na decídua do início da gestação em mulheres com AR, reforçam esta teoria.

É importante ressaltar que diferenças observadas em relação ao número de certos tipos celulares podem não refletir o verdadeiro funcionamento destas células. A medida de atividade destas células parece, assim, importante para melhor entendimento do papel que as mesmas desempenham no AR. Foi relatada, por exemplo, uma expressão aumentada de CD69 (marcador de ativação de célula NK) em células CD56+ periféricas (tanto CD56bright como CD56dim) de mulheres com AR. Tais células também expressaram maior quantidade de CD69 quando cultivadas com linhagens celulares trofoblásticas. Aumento de células CD25+ (marcador de ativação de células T) também foi relatado na decídua de primeiro trimestre de mulheres com AR com fetos cromossomicamente normais.

 

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